Conteúdo
- 1 A imagem de Flávio Bolsonaro
- 2 O que significa ser um ‘Bolsonaro vacinado’?
- 3 Problemas com as pesquisas e o TSE
- 4 O reencontro com os embaixadores
- 5 A relação com Eduardo Bolsonaro
- 6 A estratégia eleitoral de Flávio
- 7 A percepção do eleitorado
- 8 As contradições do bolsonarismo
- 9 A realidade política atual
- 10 O futuro de Flávio na política
A imagem de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tentou apresentar-se ao público brasileiro como uma versão reformulada da figura paterna, sugerindo ser um “Bolsonaro vacinado”. Essa imagem buscava mostrar um Bolsonaro mais moderado, que se apresentava com um semblante mais respeitoso, vestindo um terno bem cuidado, com um tom de voz suave e uma aparente aderência aos rituais democráticos. Ele pretendia ser uma variante do bolsonarismo que pudesse transitar em esferas empresariais, agradar ao Centrão e ainda conquistar eleitores que rejeitam o extremismo de seu pai, mas que mantêm certo flerte com a direita.
O que significa ser um ‘Bolsonaro vacinado’?
Desde o início, essa tentativa de moderação era apenas uma ilusão. Não se tratava de uma incapacidade de Flávio em assumir o papel; ele até se esforçou para isso. O real problema reside no conteúdo desse papel, que já era insustentável, e no peso do sobrenome, que entregava a narrativa antes mesmo de ela ter início. A noção de um “Bolsonaro moderado” era, portanto, uma contradição flagrante. Assemelhava-se a conceitos fantasiosos que não resistiriam ao primeiro encontro com a verdade.
Problemas com as pesquisas e o TSE
A dura realidade logo se manifestou. Através de uma sequência de crises, a dificuldade de expandir sua base de apoiadores, os conflitos internos dentro do partido PL e a urgência de manter a ala radical engajada, Flávio foi gradualmente abandonando seu disfarce. O candidato que tentava agir como um “Bolsonaro vacinado” passou a se comportar como um Bolsonaro comum, sem qualquer vestígio de moderação e sem defesas contra o extremismo que caracterizou sua família.

Esse sintoma se manifestou na recorrente hostilidade ao lidar com pesquisas eleitorais. Jair Bolsonaro já havia mostrado essa estratégia em sua campanha de 2022, deslegitimando resultados desfavoráveis. Flávio agora reproduz a mesma tática ao acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a pesquisa AtlasIntel, não por oferecer uma discussão construtiva, mas pelo incômodo causado por seus resultados.
O reencontro com os embaixadores
O episódio mais emblemático foi sua atuação junto a embaixadores. Em 2022, Jair Bolsonaro encontrou-se com diplomatas para criticar, sem evidências, o sistema eleitoral brasileiro, um ato que culminou em sua inelegibilidade. Agora, Flávio decidiu repetir essa cena em uma reunião com embaixadores em Brasília, insinuando que as urnas eletrônicas não são confiáveis, amparando-se em teorias já descreditadas pelo TSE. A empresa Smartmatic, frequentemente mencionada pela extrema direita, não está associada ao sistema eleitoral brasileiro, como já afirmado por autoridades competentes.
Portanto, essa não foi uma fala descuidada; tratou-se de uma retomada de um roteiro que já é conhecido, em que a narrativa não muda, mas as pessoas podem, de certa forma, lembrar dela. Flávio não errou ao se aproximar do bolsonarismo; ele, na verdade, retornou a suas origens.
A relação com Eduardo Bolsonaro
A tentativa de apresentar-se como alguém moderado sempre esbarrou em uma questão central: moderado em relação a quem? Ao seu pai, Jair? Ao seu irmão, Eduardo? Ao bolsonarismo que criticou vacinas, urnas, o Supremo Tribunal Federal, a imprensa, a ciência, os educadores, os artistas, as comunidades indígenas, as mulheres e jornalistas que não se submeteram às suas convicções? Nesse critério, qualquer figura que não clame por um golpe na primeira hora da manhã parece um estadista.
Contudo, a verdade é que Flávio nunca desassociou-se do ambiente em que foi criado. Na verdade, é uma de suas criações. Como herdeiro político e operador da família, ele se beneficia do legado Bolsonaro. Embora possa tentar suavizar seu tom, sempre falará a mesma língua. Flávio pode pretender ser moderado, mas sua sobrevivência política depende do apoio daqueles que o cercam e que transformaram o delírio autoritário em uma plataforma eleitoral.
Nesse círculo está Eduardo Bolsonaro, uma das figuras mais radicais e atuantes no campo político familiar. Sua presença é constante e ele não é um simples assistente. Eduardo serve como um conselheiro informal, um ativista do bolsonarismo e um “embaixador do caos”. Ele tem exercido influência nos Estados Unidos, promovendo articulações contrárias ao Brasil e radicalizando a retórica da família, indo até sugerir a possibilidade de uso de força militar estrangeira em território brasileiro.
A estratégia eleitoral de Flávio
Frente a isso, o silêncio de Flávio não é necrológico; é uma posição. Quando seu irmão cruza limites que muitas vezes são questionáveis, Flávio normalmente não se posiciona como uma voz de moderação. Quando Eduardo flerta com sancionamentos e pressões internacionais, Flávio aparece mais como alguém que tenta minimizar impactos de imagem, sem romper com as posições políticas extremistas.
A percepção do eleitorado
A candidatura de Flávio foi lançada com um entendimento implícito ao sistema político: era viável manter a base de apoio bolsonarista sem herdar todas as mazelas atribuídas a Jair Bolsonaro. Esse é um desafio complexo, quase alquímico: pegar a base fervorosa sem assustar o centro político. Herdar um sobrenome sem carregar a herança do extremismo. Receber os frutos eleitorais do pai sem parecer um mero representante.
As contradições do bolsonarismo
Entretanto, a reunião com embaixadores foi um divisor de águas, pois Flávio não só replicou uma mentira, mas também reafirmou um gesto histórico que seu pai havia protagonizado. Ele repetiu não apenas a tese, mas sempre o palco, o público e a desconfiança dirigida ao sistema eleitoral. Reiterou a estratégia de plantar dúvidas antes do julgamento final e, por fim, repetiu o mesmo manual que levou Jair a sua inelegibilidade.
A realidade política atual
A ilusão do “Bolsonaro vacinado” se desfez assim que a campanha precisou optar entre expandir sua base ou radicalizar. E, como comumente ocorre na dinâmica familiar, a opção pela radicalização prevaleceu. A realidade é que um bolsonarismo moderado não existe. Existem variedades de bolsonarismo: aquele em campanha, em crise e em investigação. O que muda são as condições, mas a essência permanece.
O futuro de Flávio na política
Flávio começou buscando se alternar como uma versão mais amigável de seu sobrenome, sendo visto como alguém que toma vacinas, conversa com empresários e tenta não alarmar quem ainda vive as memórias da tempestade de 2022. Porém, com a pressão crescendo, a fantasia se desfez. A verdade nua e crua que sobrou é a mesma: Bolsonaro é a marca e a imagem que permanecem.

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site XXXX cuido sobre quem tem direito aos Benefísios Sociais.


